As leis e os sentimentos


Tenho um hábito de ficar refletindo sobre as coisas... as minhas coisas... as coisas dos outros...as coisas do mundo. E sempre saio preocupada com o rumo que nós damos às nossas vidas. A impressão que tenho é que, em maioria, estamos estacionados no tempo, muito embora ao nosso redor tenhamos exemplos de evolução.

Um dos estacionamentos marcado pelo caos é o que abriga os sentimentos. Temos sido tão impotentes que tem sido necessário que o Poder Público intervenha com a adoção de leis. Elas tem servido para nos obrigar a fazer o que pessoas maduras e equilibradas fariam sem nenhum problema. Lamentavelmente, as leis ajudam a diminuir a sensação de injustiça, de impunidade...

Um exemplo disso é a Lei Maria da Penha, que veio para combater a violência doméstica contra mulheres e que completa três anos. Ao longo desse tempo muita mulher foi acolhida e muito homem foi preso e obrigado a se afastar do convívio do lar. Mas o buraco deixado em muitas mulheres - e homens - por causa da falta de uma família estruturada continua presente.

Ontem, ao acompanhar a defensora pública Firmiane Venâncio no programa Metrópole Serviço, da Rádio Metrópole FM, onde a Defensoria Pública tem participação toda quarta-feira, ouvi um ouvinte dizer para a comunicadora Rita Batista que a irmã dele tinha " levado uns sopapos" do marido e depois voltou pra ele; que ele, como irmão, sentiu vontade e " dar uns sopapos nela" pra que "tivesse vergonha na cara". Aí é que está. A lei, por si só, não vai resolver isso. O caso da irmã do ouvinte é apenas mais um entre milhares ou milhões que passam pela Defensoria Pública, pelas Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher - DEAM e pelas Varas Judiciárias que cuidam desses casos.

A carência e a dependência afetiva, somada à dependência econômica, tem criado pessoas enfraquecidas no seu amor próprio, na sua auto estima. A falta de estrutura da base familiar contribui para isso, gerando círculos viciosos que se transformam em verdadeiras bolas de neve, contribuindo para um caos social.

Por isso defendo sempre o investimento no fortalecimento da família, na base. Temos casais cada vez mais jovens se formando; adolescentes que não venceram as inseguranças peculiares da faixa etária tendo que criar bebês; jovens que cresceram seu o aconselhamento de mãe e/ou pai e que não sabem conviver com um não...

Se não fizermos algo, inclusive dentro das nossas próprias casas, não estaremos à salvo apenas pelas leis já instituídas ou que venham a ser aprovadas. Em minha opinião, não há lei maior que a lei do amor. Se ela não for a base de qualquer sociedade, a começar por nossa família, de nada valerão as outras leis.

Comentários

  1. excelente blogue, gostei muito de o ler, vou seguir o seu blogue!
    passe no meu se poder e leia por favor diga-me o que acha :)
    continue o bom trabalho :)

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  2. Grande Vanda, que orgulho saber que suas palavras fazem tanta diferença na vida de muita gente. Bom fazer parte de sua vida. Abçs! Tina e Nini

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  3. Obrigada, Marlene. Procuro dizer as coisas que vão no meu coração e os frutos das minhas observações. Visitarei o seu blog, sim. Um abraço.

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  4. Tina e Nini. Saudade de vocês. Sejam bem vindas ao Forquilha.

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