Frustração pós-férias existe

Fazer uma viagem é uma libertação. Ajuda a superar obstáculos e expandir seus horizontes. É enriquecidor, uma vez que amplia seus conhecimentos e possibilita a vivência de culturas diferentes.  Mas, atenção! Viajar também pode resultar em frustração ao voltar ao local onde reside.

Sempre me encantei com viagens. Durante anos, isso ocorreu somente na minha mente fértil, que eu nutri com leituras ansiosas e que devorava com fervor. Ao reencontrar Roberto, unimos o útil ao agradável e, a partir de 1991, viajamos todos os anos, quase sem nenhuma exceção.

Inicialmente, viajamos de carro pelo Nordeste, uma parte do Centro-Oeste e Norte, o Sudeste e o Sul do Brasil, nossa pátria. Após quase trinta anos, tivemos a oportunidade de conhecer aspectos das diversas culturas de pelo menos 16 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Em paralelo com nossas viagens para outros países da América do Sul, que começamos a fazer a partir de 2008, visitamos mais cinco estados brasileiros.

Por oito anos, exploramos nove dos 11 países da América do Sul, excluindo o Brasil. Aprovamos as estratégias de turismo elaboradas por alguns e louvamos a cultura de cada um. No ano de 2017, vinte e seis anos após a nossa primeira viagem, decidimos que era o momento de explorar o Velho Mundo, iniciando na Europa. Na nossa mais recente jornada, estendemos nossa visita à Ásia.

Encontramos maravilhas na maioria dos lugares que visitamos. Durante a última década (quase duas, na verdade), o tradutor online auxiliou tanto o espanhol intermediário quanto o inglês básico. Em nossas primeiras visitas a países hispânicos, carregamos um pequeno dicionário em papel. Na era digital, tiramos mais de 500 fotografias de uma única cidade - Atenas, o berço da civilização ocidental e da democracia.

Ao conhecermos a Bolívia e Peru, fomos impactados pela manutenção da cultura, que impulsiona o setor turístico. No Chile e na Argentina, fomos surpreendidos por um eficiente sistema de transporte e uma excelente engenharia de tráfego. Portanto, começamos a sentir um pouco de frustração ao retornar para Salvador, nosso local de residência. Aliás, a primeira vez que sentimos isso foi quando conhecemos Curitiba.

Ao visitar a Europa, a frustração após as férias começou a se intensificar. Não observamos lixo acumulado nas vias por onde passamos, nem indivíduos despejando lixo no chão enquanto caminhavam ou mesmo de dentro dos carros e ônibus nos países europeus. 

Entretanto, foi na viagem ao Japão, realizada em junho deste ano, que essa impressão se intensificou ainda mais. Em Tóquio, percorremos diversas vias e bairros da cidade e observamos edifícios em reforma ou em construção, todos com a área delimitada por um elegante painel. Não havia um único grão de areia ou pedras abandonadas na calçada ou nas ruas ao redor da obra.

No Japão, a presença de lixeiras é quase inexistente. As poucas disponíveis são encontradas em estabelecimentos como lojas de conveniência, condomínios e hotéis, e seu uso é bastante limitado. Os sacos de lixo utilizados são transparentes por questões de segurança. Porém, as cidades permanecem limpas. Uma japonesa que conhecemos ao voltar para o Brasil nos contou que, desde a infância, as pessoas aprendem a levar seu lixo de volta para casa. Por isso, é comum que todos carreguem uma sacolinha em suas bolsas para essa finalidade.

Nós adoramos nosso lar. Temos um grande apreço por Salvador e pelo Brasil, porém nos entristece ver que uma parte considerável da população acredita que a responsabilidade pela limpeza e pela ordem na cidade seja exclusivamente da prefeitura.  Não conseguimos mais ser pacientes com quem pensa que educação não é importante para viver em sociedade e que é só responsabilidade da escola.

Nem conseguimos imaginar como seria ser turistas em Salvador, que tem uma orla linda, mas pouco conectada ao transporte público. É uma cidade que não foi planejada para quem anda a pé. Digo isso porque eu e Roberto costumamos explorar os locais históricos das cidades ao redor do mundo a pé ou usando transporte público.

E quanto a você? Se teve a chance de fazer uma viagem, também experimenta essa sensação de frustração ao voltar das férias? Fique à vontade para conversar comigo sobre isso.

Comentários

  1. Relato de viagens muito bons, parabéns continuem sempre com essas viagens, é o q levamos pra vida.

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  2. Sim, é o que pretendemos. Que você também possa usufruir desse prazer.

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  3. Realmente, confrontar a realidade de países de primeiro mundo com a nossa deve ser muito frustrante. No caso do Japão, se vê que nem é investimento em limpeza, infraestrutura, rios de dinheiro público... É a mera educação de berço. O Brasil tinha tudo pra ser o melhor lugar para morar. Mas ainda assim, aí de mim se não fosse brasileiro e baiano!

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  4. Uma triste verdade vermos os contrastes. Não culturais, porque são parte da formação dos povos, mas dá falta de zelo com a cidade, da política do toma lá - dá cá, das mazelas escondidas nas ruas e vielas da Soterópolis tupiniquim. É realmente frustrante perceber que nós falta muito, quando podemos muito.

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  5. Amei!!!! Lindo e delicioso relato de vivências mundo afora! Obrigado por compartilhar suas experiências conosco! ❤️ E sim, partilho da mesma sensação ao voltar pra Ssa, toda vez que viajo.

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  6. Como tudo que você escreve, está perfeito o seu relato Vanda. Espero que faça e relate mais e mais viagens com Roberto e que sejam felizes, muito felizes mesmo

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  7. Vanda, que maravilha a sua narrativa e a forma que descreve os fatos e informações. Parabéns! A leitura nos faz ficar com gostinho de quero mais. Que venha mais histórias.Muuto obrigado por compartilhar.

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    1. Jadilson, né? Obrigada pelo retorno, amigo. Espero que siga o blog para receber notificações. Toda semana terá um artigo novo.

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  8. Uma verdade, Vanda. Está semana, entrei em ônibus que tinha destino a Ribeira, mas eu para o Terminal da França. Um verdadeiro suplício. Parecia uma laria, daquelas bem velha. Qdo passava pela pista esburacada da Av. Bonocô, nos sacudia. Uma verdadeira falta de respeito da prefeitura e empresários com os usuários. AFF.

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  9. Gostei! Eu tenho conhecimento que nos países mais adiantados, a segurança e educação com bons costumes prevalecem, o que dificilmente a curto prazo possam acontecer nos países de terceiro mundo...
    Só discordo que a orla de Salvador é linda, talvez ainda não conheça direito...
    Parabéns pelo texto baseado em suas viagens!

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    1. Antão, a orla é bonita. Temos uma grande extensão de praia. Infelizmente, mal cuidada.

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  10. O Brasil, a nossa querida Bahia e também a nossa maravilhosa cidade do Salvador, são pinceladas maravilhosas do Criador.. É pena 🪶 os gestores políticos que nós temos, desde o "descobrimento"
    Parabéns. Texto maravilhoso

    ...

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